CORONEL REALMENTE ALEGOU TRANSTORNO
Às vezes a mídia tem uma capacidade enorme de transformar, ou tentar transformar, uma simples ocorrência primaria, em um fato transcendental da magnitude do to be or not to be, de Shakespeare

Cel. Flávio de Jesus
A ocorrência com o cel. Flávio de Jesus é uma dessas, a qual tem recebido por parte da mídia local uma cobertura, além da costumeira para um fato como esse.
Parece que, finalmente, o combativo jornalista, Walter Rodrigues, coloca os pingos nos is, ao trazer os verdadeiros motivos que levaram a exoneração do cel. Flávio de Jesus, do comando do CPM.
Leia, abaixo, a matéria do Walter Rodrigues, publicada neste domingo (7), no Culunão.
“Documento oficial acessado pelo Colunão prova que o coronel PM Flávio Antônio Silva de Jesus de fato apresentou no último dia 28 um atestado de que sofria de transtorno mental transitório, para escapar a punição por indisciplina.
O coronel, cujo “nome de guerra” é Flávio de Jesus, assumiu há poucos dias o comando do policiamento militar da região sul do Maranhão, depois de exercer durante meses o comando do policiamento de São Luís. Na véspera, em declarações por telefone ao portal iMirante, ele desmentiu a existência do atestado médico, referido numa entrevista pelo comandante-geral da PM, coronel Franklin Pacheco.
Flávio de Jesus foi substituído no comando da capital ? um dos cargos mais importantes na hierarquia da Polícia Militar do Maranhão ? depois de dar uma entrevista criticando o comando-geral por refrear a ação do chamado Serviço Velado, uma espécie de braço operativo do Serviço de Inteligência, que outrora vinha sendo acusado de torturas e outras violências contra suspeitos e seus familiares.
O nome Serviço Velado nunca apareceu em documentos oficiais da PM, mas sua existência é amplamente conhecida e reconhecida. Na prática, o serviço agia como uma espécie de DOI-CODI para pessoas comuns, invadindo residências, prendendo e interrogando suspeitos, não raro com tortura e sempre sem ordem judicial.
Esses comandos semiclandestinos agiram e ganharam fama na capital durante os governos Zé Reinaldo (PSB) e Jackson Lago (PDT). Mas as primeiras façanhas do Serviço Velado, já com este nome, parecem ter sido cometidas na região de Imperatriz, ainda durante o segundo governo Roseana Sarney (PFL, hoje PMDB), desde o final dos anos 1990.
Para atual comandante da PM, coronel Franklin Pacheco, “a Inteligência é um meio, não um fim”. O equivalente a dizer que lhe cabe levantar informações estratégicas e táticas, mas sem autonomia para definir e executar operações armadas.
Insanidade
As declarações de Flávio de Jesus em defesa dos velados causaram grande irritação na cúpula do sistema de segurança, prenunciando que ele sofreria algum tipo de punição disciplinar. Antecipando-se, o coronel apresentou atestado que o enquadrava no tipo F43.0 do CID (Código Internacional de Doenças), oficializado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). A informação saiu publicada no Boletim da PM de 28 de janeiro. Poucos dias antes da nomeação dele para Balsas.
A morbidade F43.0 é descrita assim no CID:
“F43.0 ? Reação aguda ao stress.
Transtorno transitório que ocorre em indivíduo que não apresenta nenhum outro transtorno mental manifesto, em seguida a um stress físico e/ou psíquico excepcional, e que desaparece habitualmente em algumas horas ou em alguns dias. A ocorrência e a gravidade de uma reação aguda ao stress são influenciadas por fatores de vulnerabilidade individuais e pela capacidade do sujeito de fazer face ao traumatismo. A sintomatologia é tipicamente mista e variável… (…)
Entretanto: “Quando os sintomas persistem, convém considerar uma alteração do diagnóstico (e do tratamento).”